O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que não há previsão de aumento da tarifa do transporte coletivo e defendeu a criação de uma fonte permanente de financiamento para o setor. Segundo ele, o tema será discutido em uma reunião com prefeitos de grandes cidades, prevista para 11 de setembro, em Florianópolis (SC).
A declaração foi dada ao ser questionado sobre a possibilidade de reajuste da passagem diante das melhorias implementadas no sistema de transporte da capital. Mabel afirmou que a prioridade é buscar mecanismos que permitam manter o valor da tarifa e, futuramente, até reduzi-lo.
“Nós estamos procurando aí, vamos discutir no dia 11, em Florianópolis, um financiamento para o transporte coletivo”, afirmou. Segundo o prefeito, a proposta está sendo articulada pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e será apresentada aos gestores municipais durante o encontro.
Mabel explicou que a discussão busca encontrar uma forma de garantir recursos para o transporte coletivo sem depender de medidas pontuais. “Nós estamos acabando de arredondar e vamos discutir com os prefeitos das principais cidades lá em Florianópolis, no dia 11 de setembro, a forma de bancar isso”, disse.
Financiamento compartilhado
Para o prefeito, a manutenção do sistema não deve ficar concentrada apenas nos municípios e nos estados. Ele defendeu uma participação maior do governo federal no custeio do transporte coletivo e citou o modelo adotado em Goiás.
“Aqui em Goiás, o Estado paga 42%. Nós pagamos 42%. Os demais municípios pagam essa diferença que tem. E o governo federal paga quanto? Nada, zero”, afirmou.
Mabel argumentou que o transporte coletivo possui caráter nacional e que, por isso, a União também deveria contribuir para o subsídio das tarifas. Ele citou ainda a aprovação do marco regulatório do transporte coletivo como parte das discussões para estabelecer essa participação.
“Nós conseguimos aprovar o marco regulatório do transporte coletivo. Eu trabalhei muito em cima disso daí, junto também com o ex-deputado Barbosa Neto, junto com a ILTU, junto com a Rede MOB, junto com muitos estados e municípios”, afirmou.
Segundo o prefeito, o objetivo agora é encontrar uma fonte de recursos estável. “Nós temos que arrumar a forma de financiamento perene, uma forma de financiamento sólida. Não pode ser: ‘vamos arrumar um recurso que vem do nada e pode desaparecer’. Não, isso não serve”, declarou.
Tarifa pode até cair, diz prefeito
Ao falar sobre os efeitos de um eventual novo modelo de financiamento, Mabel afirmou que a proposta poderá evitar novos aumentos e até abrir espaço para uma redução da tarifa.
“O que nós podemos segurar com isso? Que não vai subir mais, ao contrário, pode até descer. É um caminho de um transporte mais barato”, disse.
O prefeito, no entanto, descartou a possibilidade de tornar a passagem completamente gratuita. Para ele, a gratuidade integral poderia criar dificuldades para a manutenção do sistema caso os recursos públicos deixassem de ser repassados.
“Passagem vai ser de graça. Isso não existe”, afirmou. Segundo Mabel, a preocupação é evitar que o sistema fique dependente de uma única fonte de recursos e enfrente dificuldades financeiras no futuro.
Melhorias para atrair passageiros
Mabel também relacionou o financiamento do transporte à estratégia de modernização do sistema. Segundo ele, a melhoria da qualidade dos ônibus, a metronização dos corredores, o uso de tecnologia e a ampliação das linhas alimentadoras podem estimular motoristas a deixarem os carros em casa.
“A hora que ele começa a ver que um ônibus desse com ar-condicionado, um ônibus desse com wi-fi, um ônibus andando 15, 20 minutos mais rápido, ele não vai vir mais de carro. Ele vai vir de ônibus metronizado”, afirmou.
O prefeito também citou a retomada das bicicletas compartilhadas como alternativa para ampliar a conexão entre os passageiros e os corredores de transporte. A ideia é permitir que usuários utilizem bicicletas, inclusive elétricas, para completar o trajeto entre as estações e suas residências.
Na avaliação de Mabel, a combinação entre transporte mais rápido, veículos confortáveis, integração com outros modais e um modelo de financiamento mais sustentável pode contribuir para ampliar o número de passageiros.
“É a melhora do transporte coletivo que vai fazer com que a pessoa ande de carro”, afirmou.
Proposta nacional
Mabel defendeu que a discussão sobre o financiamento ultrapasse os limites de Goiânia e seja tratada como uma política nacional. Segundo ele, o encontro previsto para setembro, em Florianópolis, será uma oportunidade para discutir uma solução conjunta entre as principais cidades brasileiras.
“Nós estamos propondo lá em Florianópolis, no dia 11, uma coisa bem consistente que vai, se Deus quiser, resolver o problema do transporte coletivo do Brasil inteiro”, afirmou.
O prefeito também destacou que Goiânia já teria retomado um volume de passageiros superior ao registrado antes da pandemia. Para ele, a expansão da metronização e de outras melhorias poderá fortalecer ainda mais o uso do transporte coletivo na capital.
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