A história de Trindade está diretamente ligada à fé no Divino Pai Eterno. Antes de se tornar conhecida nacionalmente como a Capital da Fé, a cidade era um pequeno povoado rural chamado Barro Preto, onde moradores começaram a se reunir para momentos de oração e devoção.
Segundo historiadores, não há um documento que comprove com exatidão a data de início da Romaria do Divino Pai Eterno. Apesar de a Igreja Católica celebrar 186 anos da peregrinação, pesquisadores apontam que a devoção teria começado por volta da década de 1840.
Naquele período, Constantino Xavier de Maria e sua esposa, Ana Rosa de Oliveira, recebiam vizinhos e conhecidos para rezar diante da imagem da Santíssima Trindade. O que começou como uma prática religiosa familiar ganhou força, atraiu fiéis de outras regiões e, pouco a pouco, transformou a realidade do antigo povoado.
Após a morte de Constantino, Ana Rosa doou uma parte de suas terras ao patrimônio do Divino Pai Eterno. A área ficava entre o Ribeirão Fazendinha e o Morro da Cruz das Almas, local onde hoje está a Basílica do Divino Pai Eterno. Com a doação aceita pela Igreja, a devoção passou a ganhar estrutura e maior reconhecimento.
Com o crescimento da fé popular, surgiu o Arraial da Santíssima Trindade do Barro Preto de Goiás. Uma nova capela foi construída para receber os romeiros, e a movimentação religiosa passou a influenciar diretamente o desenvolvimento local. Para estudiosos da história do município, Trindade nasceu e cresceu impulsionada pela romaria.
No fim do século XIX, a festa já reunia grande número de fiéis e também movimentava recursos. A administração era feita por uma comissão formada por moradores, mas a Igreja Católica passou a defender que uma celebração daquela proporção deveria ficar sob sua responsabilidade direta.
Foi nesse contexto que os padres redentoristas chegaram à região, em 1894, após articulação de Dom Eduardo Duarte da Silva, então bispo de Goiás. A presença dos religiosos marcou o início da institucionalização da Romaria do Divino Pai Eterno.
A mudança, porém, não ocorreu sem conflitos. A transferência da gestão da festa gerou resistência de lideranças políticas locais, especialmente do coronel Anacleto Gonçalves de Almeida. A disputa envolveu tensão, ameaças e uma crise entre representantes civis e religiosos.
Os redentoristas chegaram a assumir o santuário, mas deixaram a cidade alguns anos depois devido aos conflitos. Por um período, passaram a viver em Campinas, onde construíram a Igreja de São José e um convento. Somente décadas mais tarde, nos anos 1920, retornaram de forma definitiva para Trindade.
Enquanto a romaria se consolidava, o povoado também passava por mudanças administrativas. Em 1910, Barro Preto foi elevado a distrito de Campinas. Já em 16 de julho de 1920, veio a emancipação política, quando o distrito passou oficialmente a se chamar Trindade e ganhou administração própria.
Quase dois séculos depois do início da devoção, a Romaria do Divino Pai Eterno segue como uma das maiores manifestações religiosas do Brasil. Mais do que uma tradição de fé, a peregrinação foi responsável por transformar uma pequena comunidade rural em um dos principais destinos católicos do país.
