Bastidores

Quaest expõe rejeição alta e mostra candidatura de Marconi presa ao passado

Ex-governador aparece 16 pontos atrás de Daniel Vilela e perderia um eventual segundo turno por uma diferença de 24 pontos

A mais recente pesquisa Genial/Quaest revela que a tentativa de Marconi Perillo (PSDB) de retornar ao Governo de Goiás enfrenta obstáculos que vão muito além da distância para o atual líder. Após comandar o Estado por quatro mandatos, o tucano pretende disputar novamente o Palácio das Esmeraldas, mas os números indicam que sua candidatura encontra forte resistência entre os eleitores.

No cenário estimulado, Marconi aparece com 21% das intenções de voto, exatamente o mesmo percentual registrado em abril. Enquanto o tucano permanece estagnado, o governador Daniel Vilela (MDB) alcança 37% e abre 16 pontos de vantagem.

A situação fica ainda mais difícil em uma eventual disputa de segundo turno. Daniel venceria Marconi por 52% a 28%, uma diferença de 24 pontos. Em abril, a distância era de 19 pontos. Marconi avançou apenas um ponto no período, enquanto o atual governador cresceu seis.

Rejeição dificulta qualquer possibilidade de crescimento

O maior problema da candidatura tucana está na rejeição. Segundo a Quaest, 46% dos eleitores afirmam conhecer Marconi e não votar nele. O percentual é mais que o dobro de sua intenção de voto e coloca o ex-governador como o nome mais rejeitado entre os pré-candidatos avaliados.

Embora a rejeição tenha recuado quatro pontos desde abril, ela continua muito acima da registrada pelos adversários. O levantamento reforça a avaliação de que Marconi possui um eleitorado conhecido, mas enfrenta enormes dificuldades para conquistar novos votos.

Até mesmo entre aqueles que atualmente declaram voto no tucano há pouca segurança. A pesquisa mostra que 56% de seus eleitores admitem mudar de candidato até a eleição, enquanto apenas 43% consideram a escolha definitiva.

Desempenho fraco em diferentes segmentos

Marconi também apresenta dificuldades em grupos importantes do eleitorado. O ex-governador registra apenas 13% entre os jovens, 18% entre os evangélicos e 16% entre os eleitores com ensino superior.

Entre os bolsonaristas, segmento importante em Goiás, o tucano alcança somente 13%. Curiosamente, seu melhor desempenho ocorre entre eleitores que se declaram lulistas, grupo no qual chega a 39%, apesar de Marconi rejeitar publicamente uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Marconi aparece com apenas 3%, contra 13% de Daniel Vilela. O resultado mostra que, apesar de sua extensa trajetória política, o tucano ainda não conseguiu transformar conhecimento eleitoral em preferência espontânea.

Quinta candidatura enfrenta desgaste

Os números indicam que o principal adversário de Marconi pode não ser apenas Daniel Vilela, mas o desgaste acumulado ao longo de décadas na política. Sua quinta tentativa de governar Goiás corre o risco de ser interpretada por parte do eleitorado como um retorno ao passado, enquanto a maioria demonstra preferência pela continuidade da atual administração.

Pesquisas representam uma fotografia do momento e o cenário ainda pode mudar durante a campanha. Entretanto, a fotografia apresentada pela Quaest é dura para Marconi: intenção de voto estagnada, rejeição elevada, eleitorado pouco fiel e uma derrota ampla nas simulações de segundo turno.

Se o tucano não apresentar uma proposta capaz de romper com a imagem dos seus antigos governos, sua candidatura poderá começar e terminar limitada ao mesmo grupo de apoiadores. Até agora, os números mostram que Marconi possui um piso eleitoral conhecido, mas um teto cada vez mais difícil de superar.