A professora da rede municipal de ensino de Bom Jesus de Goiás, Valdirene Vaz Clemente, de 41 anos, morreu após ser baleada pelo ex-marido, Vanderlei Joaquim de Souza, de 45 anos, na noite de segunda-feira, 20, em frente à histórica Igreja São Sebastião, no Bairro Olímpia.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e aguardou a vítima escondido enquanto ela retornava de um culto religioso. De acordo com as investigações, Valdirene possuía uma medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro e já havia uma ação penal em andamento pelos crimes de ameaça e lesão corporal praticados no contexto de violência doméstica.
Apesar das medidas judiciais, ela foi surpreendida pelo agressor, que efetuou ao menos três disparos. O caso é investigado pelo delegado Nicolas Alvarenga, da Polícia Civil. A corporação solicitou perícias e aguarda a conclusão dos laudos para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime.
Ao Jornal Opção, o delegado esclareceu que a proteção às mulheres com medidas protetivas envolve uma rede de atuação. “O policiamento ostensivo, o atendimento emergencial e a fiscalização preventiva são realizados pela Polícia Militar, inclusive por meio da estrutura estadual da Patrulha/Batalhão Maria da Penha.
À Polícia Civil compete receber e apurar as notícias de violência ou de descumprimento, instaurar e conduzir os procedimentos investigativos, representar pelas medidas cautelares cabíveis e cumprir as determinações judiciais”.
É importante esclarecer que a medida protetiva constitui uma ordem judicial dirigida ao agressor e não significa, automaticamente, vigilância policial individual e ininterrupta durante 24 horas. Havendo notícia de descumprimento ou situação de risco, as forças de segurança devem ser imediatamente acionadas.
Segundo Nicolas Alvarenga, a Polícia Civil de Bom Jesus de Goiás adotou as providências pertinentes à sua atribuição, concluiu o inquérito policial, promoveu o indiciamento e encaminhou o procedimento ao Poder Judiciário. Portanto, qualquer análise sobre a atuação dos órgãos públicos deve considerar as atribuições legais de cada instituição e os atos efetivamente documentados no caso concreto.
Solicito que esta manifestação seja reproduzida integralmente para evitar informações descontextualizadas. Como foi o crime
Testemunhas relataram que, após atirar contra a ex-companheira, Vanderlei permaneceu no local. Quando algumas pessoas tentaram intervir, ele disparou contra a própria cabeça. Moradores acionaram a Polícia Militar após ouvirem os tiros. Valdirene foi encontrada ainda com vida.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram os primeiros socorros e a encaminharam ao Hospital Municipal de Bom Jesus de Goiás. Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde. O suspeito morreu ainda no local. Segundo a Polícia Civil, a professora foi atingida nas costas e na região da nuca.
A Polícia Científica realizou a perícia na cena do crime e, posteriormente, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Professora da rede municipal
Formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), no Câmpus Morrinhos, Valdirene atuava como professora da rede municipal de ensino de Bom Jesus de Goiás. Ela e o ex-marido deixam dois filhos.
Em nota, a Prefeitura de Bom Jesus de Goiás lamentou a morte da servidora e prestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
“Sua partida deixa saudade e um legado de força, dignidade e inspiração. Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares e amigos, desejando que encontrem conforto nas memórias e no amor que permanecerá para sempre. Que sua história viva em cada lembrança.
Descanse em paz!”, afirmou a administração municipal. 44º feminicídio em Goiás
O assassinato de Valdirene é tratado como feminicídio e representa o 44º caso registrado em Goiás em 2026, conforme levantamento da Secretaria de Segurança Pública. O crime ocorre poucos dias após outro feminicídio em Itumbiara, onde uma mulher foi morta pelo ex-companheiro na frente das filhas.
Especialistas apontam que mulheres em processo de separação estão entre as principais vítimas desse tipo de violência, especialmente quando o agressor já possui histórico de ameaças ou agressões. O caso de Bom Jesus de Goiás reforça o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e os desafios para impedir que episódios de violência doméstica evoluam para o feminicídio.
A Polícia Civil prossegue com a investigação e aguarda os resultados dos exames periciais para concluir o inquérito. Leia também: Ex-marido mata mulher a facadas em Itumbiara
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Professora com medida protetiva é morta pelo ex-marido em emboscada em Bom Jesus de Goiás
A professora da rede municipal de ensino de Bom Jesus de Goiás, Valdirene Vaz Clemente, de 41 anos, morreu após ser baleada pelo ex-marido, Vanderlei Joaquim de Souza,...