A Polícia Civil e as autoridades ambientais investigam se o incêndio que desde segunda-feira (10) já destruiu 18% do Parque Estadual de Terra Ronca, nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, no Nordeste do estado, foi criminoso.
Um fazendeiro de uma propriedade na divisa de Goiás com a Bahia foi ouvido a respeito da suposta ação de caçadores que teriam ateado fogo.
O homem colaborou com as investigações, segundo informações da Tv Anhanguera. Não há indicativo de que ele seja suspeito também.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontou mais de 20 focos de incêndio na área. O fogo já consumiu cerca de 10,4 mil hectares de vegetação.
Mais de 20 focos de incêndio levantam suspeita de ação criminosa
Em entrevista à Tv Anhanguera, o gerente do Instituto ICMBio, Albino Batista Gomes, afirmou que a quantidade de focos de incêndio levanta a suspeita de que o fogo tenha sido provocado de maneira criminosa, “em função da criação de gado”, ou seja, nesse caso, os focos podem ter sido coordenados para limpar áreas de pastagem.
O delegado Luziano Severino de Carvalho, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) investiga se o início foi criminoso.
Polícia Civil fará levantamento com apoio de drones
A expectativa é que a Polícia Civil faça levantamentos presenciais na região a partir deste sábado (15), com apoio de drones.
Essa investigação deve considerar especialmente propriedades rurais e povoados próximos às áreas atingidas com o intuito de identificar o ponto de origem do fogo. Encontrar o início facilita determinar se houve ação humana e quem poderia ser responsabilizado, mas essa confirmação é algo muito complexo, salienta o delegado.
Segundo ele, também é investigada a possibilidade de incêndio culposo, quando há ação humana sem intenção de causar o incêndio. A colocação de fogo para formar aceiros é uma das muitas causas de incêndios culposos quando ele sai do controle.
Uso tradicional do fogo também é considerado
Na região, que tem povoados próximos, inclusive ameaçados pelo fogo, o uso tradicional do fogo para aceiros e para a limpeza de terrenos é comum e pode contribuir para o surgimento e a propagação das chamas até a unidade de conservação, avalia Luziano.
O delegado destacou ainda que, conforme a investigação avance, a responsabilização poderá envolver mais de um crime, dependendo das circunstâncias e dos danos provocados pelo fogo.
Ele afirmou que a pena pode chegar a oito anos de reclusão quando há associação com outros crimes ambientais, além de multas que podem alcançar valores elevados.
Incêndio já atingiu 10,4 mil hectares do parque
Os primeiros focos foram registrados na segunda e, na estimativa do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), aproximadamente 10,4 mil hectares já foram atingidos.
O Parque Estadual de Terra Ronca possui 56.912,99 hectares, o que significa que a área queimada corresponde a cerca de 18,27% de toda a unidade de conservação. A área atingida equivale a aproximadamente 15 mil campos de futebol.
O parque abriga um dos maiores complexos de cavernas e grutas da América Latina, com mais de 200 cavernas, grutas menores e rios subterrâneos catalogados.
Operação Abafa Terra Ronca mobiliza órgãos ambientais
O combate ao incêndio na unidade de conservação mobiliza equipes do CBMGO, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Ibama e do ICMBio. Os órgãos participam da Operação Abafa Terra Ronca.
Duas das três principais frentes do incêndio foram controladas. Por outro lado, as condições da região, marcada por vegetação ressequida, típica do Cerrado nesta época do ano, mais um vento forte registrado nesta sexta-feira (14) exige mais cuidados para evitar a reignição e novos focos.
O post Polícia Civil investiga ação criminosa em incêndio que já destruiu 18% do Parque de Terra Ronca foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
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