O publicitário e cientista político Hamilton Carneiro, com 44 anos de experiência em campanhas eleitorais em Goiás, reafirma o papel dos veículos tradicionais de comunicação na era digital, alerta que o eleitor vota de olho no futuro, e não no passado, e aponta tendências para os desdobramentos de um eventual segundo turno entre o governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) – como o apoio do senador Wilder Morais (PL).
Durante entrevista ao programa Microfone Aberto da Rádio Difusora de Goiânia, nesta quinta-feira (27), o marqueteiro fez uma análise sobre o início do horário eleitoral no rádio e na televisão e os cenários políticos para a disputa ao governo do Estado.
A força do rádio e da TV frente às redes sociais
Mesmo com o crescimento constante das plataformas digitais, Hamilton Carneiro defende que o rádio e a televisão mantêm uma relevância estratégica fundamental para a definição do pleito. “O rádio, primeiro, a facilidade de sintonia, né?
Você tá no carro e você tá no rádio… E a televisão, não tem jeito. A televisão continua sendo assistida”, pontuou.
O publicitário destacou que, ao contrário das redes sociais onde o eleitor atua de forma interativa e muitas vezes hostil, nos veículos tradicionais ele atua como audiência direta: “Na televisão e rádio o eleitor é um agente passivo do processo. Ele ouve, pode discordar, mas ouve e nas redes sociais ele vai discutir [o que ouviu]”.
Para o especialista, a grande sacada das campanhas modernas é usar a TV como matriz de conteúdo: “Recorta ali e manda pra redes sociais aquilo que interessa”.
Desafios de tempo e a estratégia de linguagem
Ao analisar o tempo de propaganda de cada concorrente, Hamilton sublinhou o desafio enfrentado por Marconi Perillo, que dispõe de uma fatia reduzida no horário gratuito. “O Marconi tem um tempo mínimo, e ele tem que demonstrar o que fez em menos de um minuto. Menos de um minuto para mostrar os quatro governos”, analisou.
Como solução para a limitação temporal do tucano, o publicitário sugeriu uma abordagem direta: “Eu trabalharia com a linguagem da publicidade. Em propaganda, em 30 segundos, você fala de um produto, ou de uma ideia, quanto custa, onde compra, quanto você vai pagar, quanto tempo para pagar”.
“Eleitorado não vota no passado”
Em contrapartida, lembrou que Daniel Vilela conta com mais de quatro minutos de televisão, mas precisa construir sua identificação própria diante de um eleitorado que “não vota no passado”, uma vez que “o voto é uma ação mercantilista. Você vota em troca de alguma coisa. O passado não te dá troco de nada”, diz o marqueteiro.
Continuidade do governo Caiado e a marca da segurança pública
Questionado sobre a capacidade de Daniel Vilela se consolidar como o sucessor natural do ex-governador Ronaldo Caiado, Hamilton Carneiro ponderou que a assimilação depende do tom adotado na propaganda.
“O próprio Caiado vem abonando, ‘olha a continuidade, governou comigo, junto comigo, esse tempo todo…’ Pode dar essa ideia de que é uma continuidade do governo Caiado”, explicou.
Carneiro, no entanto, fez uma ressalva quanto a pautas centrais da gestão caiadista, como a segurança pública, afirmando que a retórica ostensiva ainda permanece muito associada à imagem do padrinho político: “Parece que a segurança é muito do Caiado. Aquela fala grave, aquele jeito dele de pregar a segurança. ‘A minha polícia’, né?
Você não vê ‘a minha polícia’ na boca do Daniel”, sustente.
Caminho natural: união entre Wilder Morais e Marconi Perillo no 2º turno
Ao projetar o cenário de segundo turno apontado pelas pesquisas de intenção de voto, nas quais o emedebista Daniel Vilela lidera a corrida, Hamilton Carneiro foi taxativo sobre a movimentação dos blocos de oposição.
Sobre alianças no segundo turno, Marconi Perillo, em entrevista ao mesmo programa, disse que já tratou com o bolsonarista Wilder Morais o apoio trocado caso um dos dois passe na peneira para disputar com Vilela – depois, Wilder negou que seja assunto fechado.
Questionado se, em sua avaliação, o bolsonarista daria apoio ao tucano caso a disputa final fique entre o emedebista e Perillo, o publicitário garantiu que essa aliança é um caminho natural. “Com certeza.
Até porque, um segundo turno é o momento em que você estabelece compromisso com os partidos. E aqueles que são de direita talvez não façam acordo com a esquerda.
Mas não duvide fazer até com a esquerda, porque você tem um presidente que não é da direita. Você tem uma dependência, aí, numa escala nacional”, declarou o publicitário, sinalizando que a convergência de forças do campo conservador e de oposição se desenhará estrategicamente na etapa decisiva da eleição goiana.
O post “O eleitor não vota no passado. Vota no que vai acontecer!”, afirma o publicitário Hamilton Carneiro foi publicado primeiro em Diário de Goiás.
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