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Informação em tempo real 01 de setembro de 2026
Goiás no Ar — Informação em Tempo Real

Lula abre campanha à reeleição em São Bernardo e resgata origem sindical; Veja ao vivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente neste domingo (16) sua campanha à reeleição à Presidência da República com um ato no Estádio Municipal 1º...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente neste domingo (16) sua campanha à reeleição à Presidência da República com um ato no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

O local, conhecido historicamente como Vila Euclides, foi escolhido pelo petista por representar o início de sua trajetória política, quando ainda era líder sindical dos metalúrgicos. O ato começou às 9h e reuniu caravanas e apoiadores de diferentes estados.

A escolha do palco tem forte caráter simbólico. Foi na Vila Euclides que Lula ganhou projeção nacional durante as grandes greves dos metalúrgicos do ABC, no fim dos anos 1970.

Em 1979, uma assembleia liderada pelo então dirigente sindical reuniu dezenas de milhares de trabalhadores no estádio, em um período marcado pela ditadura militar. No ano seguinte, seria fundado o Partido dos Trabalhadores (PT).

Quase cinco décadas depois, Lula voltou ao mesmo espaço para iniciar sua sétima campanha presidencial, desta vez em busca de um quarto mandato. O evento foi estruturado justamente para aproximar o candidato de sua trajetória política e do movimento sindical que marcou sua ascensão.

‘Eu era imbecil’, diz Lula ao lembrar início na política

Durante o discurso, Lula revisitou episódios de sua trajetória e relembrou a relação com os trabalhadores do ABC e a criação do PT. O presidente afirmou que, no início, não queria se envolver com política e chegou a ser contrário à criação do partido.

“Eu dizia que não gostava de política, era imbecil”, afirmou.

Na sequência, voltou a uma das frases que costuma utilizar para defender a participação política: “quem não gosta de política é governado por quem gosta”.

A estratégia do discurso foi recuperar a imagem do Lula sindicalista e associá-la ao candidato que agora tenta conquistar um novo mandato. Antes da fala do presidente, um vídeo exibido no estádio promoveu um diálogo simbólico entre o Lula atual e o líder sindical do passado, utilizando imagens das greves do ABC.

Em uma das mensagens apresentadas no vídeo, o Lula de hoje afirma: “Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais”. A peça também resgatou registros históricos da Vila Euclides e das mobilizações dos metalúrgicos.

Deus, Dona Lindu e Marisa

Outro eixo do primeiro discurso de campanha foi a religião. Lula fez diversas referências a Deus e afirmou que atribui à fé parte importante de sua trajetória pessoal.

“Deus sempre foi muito generoso” com ele, afirmou o presidente. Em outro momento, disse que “Deus fez vocês e vocês fizeram Lula ser o que ele é”, em referência aos trabalhadores que participaram de sua trajetória.

Lula também mencionou a morte de sua ex-mulher, Marisa Letícia, e afirmou que chegou a acreditar que sua vida havia terminado naquele momento, antes de conhecer a atual primeira-dama, Janja da Silva.

“Eu sou obrigado a agradecer a Deus, todo dia”, declarou.

O presidente também resgatou a história da mãe, Dona Lindu, e episódios de sua juventude e da trajetória sindical. As referências pessoais fizeram parte da estratégia de apresentar ao público o caminho percorrido desde o ABC até a Presidência da República.

A própria Janja participou do ato e homenageou Marisa Letícia, lembrando sua participação na trajetória do movimento sindical e na história do PT.

Aceno às mulheres

O eleitorado feminino também ganhou espaço no primeiro grande discurso da campanha. Lula dirigiu uma mensagem específica às mulheres e abordou a violência contra esse grupo.

“Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca, porque nós homens precisamos aprender a responder vocês”, afirmou.

O aceno ocorre em um cenário em que o eleitorado feminino é tratado como estratégico para a disputa presidencial. A campanha petista tem buscado reforçar a comunicação com as mulheres e apresentar o presidente como defensor de políticas voltadas à proteção e aos direitos femininos.

Lula relembra prisão e critica decisão de Toffoli

Outro momento de forte carga pessoal ocorreu quando Lula relembrou episódios relacionados às prisões durante sua trajetória sindical.

O presidente contou que, durante a prisão decorrente da greve dos metalúrgicos de 1979, um delegado de polícia permitiu que ele deixasse a cadeia para acompanhar o enterro de sua mãe.

Em seguida, fez referência à situação vivida durante sua prisão em 2018, quando não recebeu autorização para deixar a carceragem para acompanhar o enterro de seu neto. Lula criticou a decisão tomada à época pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, sem citá-lo nominalmente.

“Homens não são medidos por épocas, são medidos por caráter”, afirmou.

Lula também lembrou que foi responsável pela indicação de Toffoli ao STF.

Estratégia fora dos debates

A largada da campanha também acontece em meio a uma estratégia de comunicação que prioriza atos públicos e entrevistas com comunicadores digitais, enquanto Lula tem evitado entrevistas com veículos tradicionais e sinalizado que não pretende participar dos debates no primeiro turno.

O primeiro debate presidencial de 2026, que inicialmente estava previsto para este domingo (16), foi transferido para 23 de agosto, às 20h, na Band, em razão do ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo. A transmissão será realizada em parceria com Cultura, Gazeta e Jovem Pan, além do YouTube.

Até o momento, Lula e Flávio Bolsonaro não haviam confirmado presença.

A decisão de privilegiar entrevistas em formatos digitais e evitar sabatinas tradicionais faz parte de uma estratégia de comunicação mais controlada, com ambientes considerados mais favoráveis ao candidato. A opção, contudo, mantém em aberto a participação de Lula nos principais confrontos televisivos da campanha.

‘Onde tudo começou’

A escolha de São Bernardo do Campo não foi casual. O ABC Paulista representa um dos principais símbolos da trajetória política de Lula e do nascimento do PT. A Vila Euclides foi palco de mobilizações que ajudaram a projetar o então líder sindical para além do movimento dos trabalhadores.

Agora, o estádio volta a receber Lula em um momento completamente diferente: o sindicalista que liderava assembleias durante a ditadura chega ao mesmo local como presidente da República e candidato à reeleição.

A campanha petista aposta justamente nessa conexão entre passado e presente. O objetivo é apresentar a trajetória pessoal de Lula como parte da narrativa eleitoral e relembrar aos apoiadores a origem do movimento político que levou o partido ao Palácio do Planalto.

O ato deste domingo marca, assim, não apenas o início oficial da campanha de Lula, mas também uma tentativa de reconectar o candidato às imagens que construíram sua identidade política: o metalúrgico, o líder sindical, o fundador do PT e o político que chegou à Presidência depois de décadas de atuação pública.

Com a propaganda eleitoral oficialmente liberada a partir deste domingo (16), Lula começa a corrida pela reeleição apostando na memória de sua trajetória, na mobilização da militância e em uma comunicação que combina referências pessoais, religiosas e políticas.

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Esta matéria foi publicada originalmente no portal Diário de Goiás.

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