Os dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram uma tendência de redução e estagnação do número de casos de suicídio entre agentes das polícias militares e civis de vários estados. Goiás é um dos estados em que não houve registro de autoextermínio no ano passado, contra 5 em 2024.
Entretanto, o levantamento orienta cuidado na análise dos dados sobre suicídio entre as forças de segurança.
“Os dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para o 20º Anuário mostram uma redução, entre 2024 e 2025, tanto das mortes violentas intencionais de policiais civis e militares quanto dos suicídios registrados entre profissionais da ativa.
À primeira vista, o resultado pode sugerir uma melhora do cenário nacional. Um olhar mais atento, no entanto, revela uma realidade mais complexa. A redução observada no país não ocorreu de forma homogênea entre as corporações nem entre os estados e, por isso, precisa ser interpretada com cautela”.
O Anuário aponta por exemplo, que, em 2025, o total de policiais civis e militares vítimas de mortes violentas intencionais caiu de 144 para 139, com redução da taxa de 0,28 para 0,27 por mil policiais (-3,5%), enquanto no mesmo período, os registros de suicídio passaram de 126 para 110 casos. Ou seja, uma redução na taxa de 0,25 para 0,22 por mil policiais (-12,7%).
Anuário Brasileiro de Segurança aponta redução nacional, mas pede cautela na interpretação dos dados de suicídio
“Embora ambos os indicadores tenham apresentado queda, a redução foi mais expressiva no número de suicídios. Quando observamos separadamente as corporações, porém, percebemos que essa melhora nacional resulta de movimentos bastante distintos.
A redução das mortes violentas intencionais foi impulsionada principalmente pelos policiais militares. Entre eles, diminuíram tanto as mortes em confronto durante o serviço, que passaram de 31 para 21 casos, quanto, sobretudo, aquelas ocorridas em confronto ou por lesão não natural fora do expediente, que caíram de 76 para 46 registros”, revela o documento.
Entretanto, cita o Anuário, entre os policiais civis, o movimento foi inverso. “As mortes em confronto em serviço aumentaram de um para oito casos, enquanto as ocorridas fora de serviço passaram de oito para treze. Assim, o resultado nacional positivo não significa que todas as corporações passaram a enfrentar menos riscos, mas expressa dinâmicas bastante diferentes entre policiais militares e civis”.
O mesmo ocorre com os estados, onde as diferenças também aparecem regionalmente. “O caso que mais chama a atenção é o do Rio de Janeiro, onde o número de policiais vítimas de mortes violentas intencionais passou de 28 para 51, elevando a taxa de 0,57 para 1,04 por mil policiais (+82,1%).
O crescimento ocorre na contramão da tendência nacional e faz do estado o principal foco de agravamento da vitimização letal em 2025”, acrescenta a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
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Goiás registra queda de cinco para zero casos de suicídio entre policiais
Estados que não tiveram registros de suicídios
Zero registros em ambos os anos (2024 e 2025):
• Rondônia (traço “–” em todos os campos nos dois anos)
Zero registros em 2025 (mas tiveram em 2024):
• Amapá (1 caso em 2024 0 em 2025)
• Espírito Santo (2 casos em 2024 0 em 2025)
• Piauí (4 casos em 2024 0 em 2025)
• Roraima (1 caso em 2024 0 em 2025)
• Sergipe (1 caso em 2024 0 em 2025)
• Goiás (5 em 2024 0 em 2025)
Zero registros em 2024 (mas registraram em 2025):
• Acre (0 em 2024 1 em 2025)
• Tocantins (0 em 2024 2 em 2025)
Estados que tiveram Redução de casos (2024 2025)
Considerando a variação percentual da taxa por 100 mil policiais ou do total de números absolutos (PM + PC):
• Alagoas: 1 caso em 2024 0 em 2025
• Amapá: 1 caso em 2024 0 em 2025
• Piauí: 4 casos em 2024 0 em
• Rio de Janeiro: 14 casos em 2024 7 em 2025
• Amazonas: 5 casos em 2024 3 em 2025
• Bahia: 5 casos em 2024 3 em 2025
• Ceará: 10 casos em 2024 6 em 2025
• Rio Grande do Sul: 16 casos em 2024 14 em 2025
• Goiás: 5 em 2024 0 em 2025
Resumo quantitativo:
• Sem registros em 2025: 6 estados (Goiás, Rondônia, Amapá, Piauí, Roraima e Sergipe – Espírito Santo não há dados).
• Com redução no comparativo 2024–2025: 9 estados.
Mortes em serviço permanecem em patamares reduzidos no estado
No caso das mortes em serviço, os principais achados referentes a Goiás mostram que os registros de policiais militares e civis mortos em confronto durante o serviço no estado de Goiás mantêm-se em patamares reduzidos frequentemente entre 0 e 2 casos anuais nos relatórios mais recentes.
A maior parcela dos óbitos registrados de agentes de segurança em Goiás decorre de ocorrências fora de serviço (reações a roubos/folga) e os de causas relacionadas à saúde mental (suicídio, citados acima), alinhando-se ao padrão nacional de que a folga é o momento de maior vulnerabilidade do agente.
Subnotificação e estigma ainda desafiam estatísticas sobre saúde mental
O próprio Anuário Brasileiro de Segurança Pública alerta que o fato de um estado registrar zero ocorrências nem sempre significa a inexistência do problema. Os principais fatores apontados para os números zerados ou baixos em determinados anos são decorrentes de subnotificação e subregistro.
A observação é que o suicídio nas forças corporativas ainda é cercado de forte estigma social e institucional, fazendo com que casos sejam notificados genericamente como lesões decorrentes de acidentes com arma de fogo ou causas indeterminadas. Outro apontamento é a falta de padronização ou de divulgação sobre as estatísticas das corporações.
Policiais mais experientes continuam entre as principais vítimas
No que se refere à faixa etária dos agentes de segurança mortos nos dois anos analisados, o levantamento aponta que ela segue a tendência de afetar os mais antigos no serviço. “Assim como nos anos anteriores, os profissionais mais experientes, com mais de 10 anos de serviço, foram os mais vitimados”, revela o Anuário.
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Goiás zera casos de suicídio entre policiais em 2025; Anuário faz alerta sobre subnotificação nacional
Os dados da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram uma tendência de redução e estagnação do número de casos de suicídio entre agentes das polícias...
