Ao Jornal Opção, o advogado de defesa, Luís Henrique Viana dos Reis, que atua em Ribeirão Preto, em São Paulo, se manifestou sobre a decisão da Justiça de Goiás que converteu em preventiva a prisão em flagrante de Henrique Donizeti Ferri, piloto acusado de transportar mais de 300 kg de cocaína em aeronave que fez pouso forçado na zona rural de Itarumã.
“Ele não sabia qual o era material que estava transportando e nem desconfiava de sua natureza ilícita.
Nunca teve sequer um único problema com a justiça em toda a sua vida.
Desconfiou que seria caneta de Monajaro ou qualquer outros emagressedores atuais”, afirmou
Segundo Luís Henrique, o magistrado entendeu que a gravidade dos fatos justificaria o encarceramento. “O nosso cliente não tem sequer um registro de antecedente criminal, é pessoa trabalhadora, tem residência fixa, tem atividade remunerada lícita”, disse.
“Não existia qualquer investigação sobre a sua pessoa, qualquer indício de participação em organização criminosa, dedicação a atividades ilícitas.
Ele tem família, tem uma criança, tem um filho, Bernard, de 8 anos, que necessita de cuidados médicos”, acrescentou.
O advogado destacou que Henrique Donizeti estaria enquadrado na figura conhecida na doutrina como “mula do tráfico”. “A mula do tráfico é uma pessoa que não conhece o proprietário da droga, não conhece qualquer outro contato da organização criminosa”, apontou.
“É alguém que presta um ou outro serviço e é dispensado para não comprometer a própria eventual organização.
Os tribunais superiores vêm destacando muito essa conduta e aplicando o regime semiaberto diante da menor gravidade da inserção nas atividades criminosas”, completou.
Luís Henrique também explicou que familiares que foram ao local do acidente para prestar socorro foram liberados pela Polícia Federal. “O delegado entendeu de forma sensível, justa e correta que não tem nada a ver a relação da família, que são pessoas trabalhadoras. Não houve qualquer vínculo ou ajuste de desígnios com os fatos que o Henrique está sendo acusado.
Uma decisão correta, respaldada na hombridade jurídica pelo delegado da Polícia Federal de Jataí”, disse
Sobre os próximos passos, o advogado informou que aguarda a distribuição do processo para a comarca de Caçu, no sudoeste de Goiás. “Vamos aguardar a distribuição do processo à comarca de Caçu, como eu havia falado, e fazer um novo pedido de liberdade provisória e, eventualmente, um habeas corpus perante o Tribunal de Justiça de Goiás.
A gravidade dos fatos não impede a aplicação de uma medida cautelar, como um monitoramento eletrônico”, apontou. Por fim, Viana reforçou que a defesa precisa de mais tempo para analisar a acusação. “Fatalmente vai ser determinado segredo de justiça, então seria temerário falar alguma coisa nesse sentido.
Por motivo de fidelidade processual, não podemos atrapalhar nem a acusação, e a defesa também precisa de mais tempo para estudar o processo”, finalizou.
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“Ele não sabia qual o era material”, diz defesa de piloto suspeito de transportar mais de 300 kg de cocaína
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