Autoridades de Goiás e de Mato Grosso se mobilizaram no último mês depois de uma série de denúncias de despejo de esgoto no Rio Araguaia. A prática acontece do lado mato-grossense, na cidade de Barra do Garças, que faz divisa com Aragarças, no território goiano.
Os efluentes são lançados pela concessionária de saneamento do município mato-grossense, a Águas de Barra do Garças, que diz que segue todos os parâmetros definidos por lei. A denúncia foi tratada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso depois de o vereador Zé Gota (MDB) gravar uma série de vídeos que mostram o derramamento de esgoto no rio.
Em uma das ações, o deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) apresentou requerimento com solicitando informações à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e ao Ministério Público Federal (MPF) sobre as denúncias.
Do lado goiano, foi feito um laudo técnico pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-GO) que apontou que há contaminação. “A princípio os dados indicam contaminação da água decorrente desses lançamentos que ocorrem na região”, disse a Semad.
Segundo a pasta, do lado goiano tem sido feita uma campanha de balneabilidade durante a temporada de férias de 2026 para atestar se a água está própria para banho e demais atividades recreativas.
A pasta ressaltou que os estudos nesse sentido não indicam se a água é potável.
“Vamos monitorar e, a partir desses dados obtidos, vamos divulgar essas informações para toda a população e para as pessoas que vão usar a água”, ressaltou a Semad. Por ora, não houve óbice ao uso do rio para fins recreativos do lado goiano.
Segundo a titular da pasta, Andréa Vulcanis, há um acompanhamento conjunto com a Sema-MT para apurar o lançamento de esgoto.
Laudo da empresa de MT
A Águas de Barra do Garças alegou que coletas realizadas em visitas técnicas em junho, que tiveram participação de representantes da Câmara Municipal, da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agirf) e das Secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente, apontaram que o despejo ficaram dentro dos limites estabelecidos pela outorga e pela resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que trata do tema.
Ao todo, foram coletadas quatro amostras representativas, contemplando o esgoto bruto na entrada da ETE, o efluente tratado no ponto de lançamento e amostras da água do rio antes e depois do ponto lançamento. Conforme a empresa, indicadores como Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), óleos e graxas e sólidos sedimentáveis apresentaram resultados significativamente inferiores aos limites permitidos.
As análises também demonstraram que não houve alterações na qualidade da água do corpo receptor após o lançamento do efluente tratado.
A comparação entre as amostras coletadas antes e depois da estação apresentou resultados compatíveis para parâmetros como DBO, coliformes termotolerantes e fósforo, comprovando que o lançamento realizado pela ETE não compromete a qualidade do manancial nem altera a classificação do corpo hídrico.
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Denúncia de despejo de esgoto no Araguaia mobiliza autoridades goianas e mato-grossenses
Autoridades de Goiás e de Mato Grosso se mobilizaram no último mês depois de uma série de denúncias de despejo de esgoto no Rio Araguaia. A prática acontece...