José Abrão
Goiânia – Internacionalizar seus negócios para a Europa é um processo que vai além das adequações de legislação e certificação. Há questões de posicionamento de marca e cultura que precisam ser levadas em consideração, em particular em questões que envolvem a preservação do meio ambiente.
Tendo isso em mente e com o acordo Mercosul-União Europeia finalmente concretizado, a Tailor Brand Thinking, com sede em Goiânia, e a Brazil Business Center Cologne (BBCC), com escritório na cidade alemã de Colônia, se uniram para apoiar empresas goianas interessadas em levar seus negócios para o Velho Mundo.
A iniciativa pretende oferecer suporte a negócios que buscam exportar produtos e serviços, internacionalizar operações ou construir presença estratégica no mercado europeu.
A proposta une a experiência do BBCC no desenvolvimento de negócios internacionais à atuação da Tailor nas áreas de posicionamento de marca, comunicação e adaptação cultural.
“Esse acordo [Mercosul-UE] é uma grande oportunidade para empresas de Goiás, porque envolve a possibilidade de empresas do agronegócio, indústrias farmacêuticas, empresas de serviços e tecnologia e de outros produtos entrarem na Europa.
Ao mesmo tempo, ele gera a necessidade de se alinhar com esses requisitos da União Europeia, que nós chamamos de regulamentações”, orienta Claudio Ribeiro Krause, um dos sócios fundadores da Tailor.
“A empresa precisa ter esse equilíbrio tanto da marca, do posicionamento da sua identidade, da sua estratégia, como a marca se comporta, e se ela tem um comportamento adequado de acordo com o que ela promete, até as questões da própria estruturação da empresa.
Aí gera também questões relacionadas à transparência, sustentabilidade, se essa empresa tem esse nível de respeito às pessoas, seus colaboradores. Então, a empresa precisa estar realmente estruturada para entrar na Europa”, completa.
Saavedra, Claudio e Gustavo durante a entrevista (Foto: Matheus Vieira/A Redação)
O diretor da BBCC, Ricardo Saavedra, aponta que este é o momento ideal para as empresas do Estado se prepararem, já que as vantagens do acordo serão implementadas gradualmente ao longo do tempo.
“A gente verifica, obviamente, que o interesse de empresas brasileiras vem crescendo muito, especificamente empresas que têm um ramo forte na parte do agronegócio, sendo Goiás um dos maiores fornecedores da Europa. Então, há uma necessidade imensa não só de conhecer o mercado, mas de se preparar para esse mercado.
É um processo de adaptação nessa jornada de internacionalização: a empresa, obviamente, muitas vezes começa com os primeiros contratos, experiências de participação em feiras, etc.”, pontua.
Krause fica em Goiânia até março e, neste período, junto com o sócio Gustavo Moura, realiza diversas agendas junto aos empresários goianos para que conheçam os serviços de consultoria e entendam se suas marcas e produtos têm perfil para ingressar no mercado europeu.
“Esse processo vai demorar um pouco, então é uma preparação que se deve começar hoje”, avalia Moura. “Não é só regulação, se adaptar às leis é fácil: o grande desafio é se adaptar ao jeito de ser que o europeu espera.
Quando ele busca um produto, vai atrás das certificações, da transparência, da rastreabilidade de toda a cadeia de produção, de quem são os fornecedores. Não é só adequação: isso torna também o produto mais desejável, agrega valor.
Um dos grandes pontos de trabalho é também se adaptar à cultura europeia”, adiciona.
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Saavedra complementa que o empresário não deve ver essas adequações como um estorvo: seguir as regras e se engajar em uma cultura sustentável de fato agrega valor ao produto. Ele pode ficar mais custoso, mas também terá um valor maior lá na ponta para o consumidor exigente.
“O consumidor da Alemanha e do norte europeu tem essa consciência de consumo, essa filosofia. O trabalho da marca, de posicionamento, é essencial para isso.
Não adianta vir com uma proposta que vai ignorar esses aspectos que o consumidor não só tem a preocupação, mas está disposto a pagar mais por isso. Elas falam: ‘eu vou pagar mais por esse produto porque eu tenho certeza que ele está tendo um custo para poder, vamos dizer assim, sustentar essa prática positiva’”, explica.
“A empresa precisa ser ela mesma, entender a sua essência e como adaptar essa essência a um ambiente diferente”, pondera Krause. “Então, é importante entender que ela precisa preservar o que ela é, e não ser uma outra coisa para poder entrar no mercado alemão ou europeu.
Por isso que a gente tem esse cuidado de entender a essência das marcas, entender o que elas representam, o seu verdadeiro propósito e trazer essa verdade para a Europa”, completa.
Iniciando o quanto antes esse planejamento e passando por esses desafios com um acompanhamento correto, as chances de entrar com sucesso no mercado alemão-europeu vão ser muito maiores. Os empresários que estiverem interessados podem entrar em contato com a Tailor pelo site.
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Esta matéria foi publicada originalmente no portal A Redação.
