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Cidades

Acidente com Césio-137 completa 39 anos; relembre os principais fatos do caso que marcou o mundo

Em 1987, a abertura de uma cápsula de radioterapia abandonada provocou o maior acidente radiológico do Brasil. O episódio matou quatro pessoas, contaminou centenas e levou milhares de moradores a serem monitorados....

Em 1987, a abertura de uma cápsula de radioterapia abandonada provocou o maior acidente radiológico do Brasil. O episódio matou quatro pessoas, contaminou centenas e levou milhares de moradores a serem monitorados. Quase quatro décadas depois, o caso continua sendo referência internacional em emergências envolvendo material radioativo.

Relembre o caso

O acidente começou em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de materiais recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, situado no Setor Aeroporto, em Goiânia.

O equipamento foi levado para a casa de um deles, no Setor Central, onde a cápsula contendo cloreto de césio-137 foi aberta.

O material radioativo emitia uma luz azulada, que despertou a curiosidade de moradores. Sem saber do perigo, familiares, vizinhos e outras pessoas tiveram contato com o pó radioativo, que foi manipulado, transportado e espalhado por diferentes locais da cidade.

A contaminação só foi identificada depois que pessoas que tiveram contato com a substância começaram a apresentar sintomas. Foi então que a esposa do dono do ferro-velho onde a cápsula foi aberta, por nome Maria Gabriela Ferreira, percebeu que o material poderia estar relacionado às doenças. 

Desconfiada, ela colocou a cápsula de chumbo contendo o Césio-137 dentro de uma sacola plástica e viajou de ônibus até a sede da Vigilância Sanitária de Goiânia. Pouco depois, o caso foi comunicado às autoridades, dando início a uma operação emergencial de grandes proporções.

O acidente provocou a morte de quatro pessoas diretamente afetadas pela radiação: Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, Maria Gabriela Ferreira, Israel Baptista dos Santos e Admilson Alves de Souza. 

No entanto, outras centenas de pessoas foram contaminadas pela substância. Segundo registros, cerca de 112 mil pessoas foram monitoradas durante o período. Destas, 249 apresentaram algum grau de contaminação radioativa. 

A operação também resultou na identificação de áreas contaminadas e na remoção de toneladas de materiais e rejeitos radioativos. O material foi levado para um depósito em Abadia de Goiás, onde deverão permanecer lacrados e monitorados por cerca de mais de 260 anos.

Referência internacional

A resposta ao acidente mobilizou profissionais de saúde, técnicos, equipes de defesa civil, pesquisadores e especialistas do país. A experiência, porém, passou a integrar estudos e treinamentos sobre emergências radiológicas em todo o mundo. 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou um relatório histórico detalhando o acidente, a resposta das autoridades, os efeitos da exposição e as medidas adotadas para controlar a contaminação. O documento, por nome The Radiological Accident in Goiânia , é uma das principais referências internacionais sobre o episódio.

Série na Netflix

O caso voltou a ganhar destaque em 2026 com o lançamento da série documental O Enigma do Césio 137, na Netflix. A produção recupera os acontecimentos da época, apresenta relatos relacionados ao acidente e aborda os impactos humanos e sociais da contaminação radioativa.

O sucesso da produção reacendeu o interesse do público pela história de Goiânia e trouxe novamente ao debate os riscos do abandono de equipamentos radiológicos, a importância do controle de fontes radioativas e as consequências de uma emergência radiológica.

O post Acidente com Césio-137 completa 39 anos; relembre os principais fatos do caso que marcou o mundo foi publicado primeiro em Diário de Goiás.

Fonte: Diário de Goiás

Marielle SouzaJornalista