A dor no ombro está entre as queixas ortopédicas mais frequentes entre adultos e pode ter diferentes causas. Embora a bursite seja o diagnóstico mais conhecido pela população, ela está longe de ser a única responsável pelo problema.
Tendinite calcária, capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, lesões nos tendões e artrose também podem provocar dor intensa, perda de força e limitação dos movimentos. Além de serem doenças distintas, algumas dessas condições podem estar relacionadas e até evoluir de uma para outra quando não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), o ombro congelado afeta entre 2% e 5% da população mundial. A doença é significativamente mais comum em mulheres, especialmente entre 40 e 70 anos, e costuma surgir após traumas, lesões, cirurgias na região ou períodos prolongados de imobilização.
Segundo o ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo Gustavo Barboza de Oliveira, a crença de que toda dor no ombro é bursite surgiu em uma época em que a medicina dispunha de menos recursos para identificar outras doenças.
“No passado, toda dor no ombro era chamada de bursite, porque era o que conseguíamos identificar com os recursos disponíveis.
Hoje, com o avanço das tecnologias de imagem, principalmente da ressonância magnética, conseguimos observar que existem várias doenças relacionadas aos quadros dolorosos do ombro”, explica ao Jornal Opção.
O médico afirma que a bursite corresponde apenas à inflamação da bursa, uma pequena bolsa localizada entre as estruturas da articulação cuja função é reduzir o atrito durante os movimentos.
“Quando essa estrutura trabalha excessivamente em razão de alguma alteração na região, ela acaba inflamando. Isso provoca muita dor e limitação dos movimentos.
Mas existem diversas outras patologias que podem causar sintomas muito parecidos”, pontua. Embora tenham causas distintas, as doenças do ombro costumam provocar sintomas semelhantes, o que torna indispensável uma avaliação médica antes do início do tratamento.
Entre os principais sinais de alerta estão dor persistente, dificuldade para movimentar o braço e perda de força.
“O principal impacto aparece nas atividades do dia a dia. A pessoa sente dor para levantar o braço, pegar um objeto em um armário, trocar de roupa, trabalhar ou praticar atividade física. Também é muito comum a dificuldade para dormir por causa da dor”, afirma Gustavo Barboza.
Segundo ele, três sintomas merecem atenção especial.
“Dor, limitação dos movimentos e perda de força são os principais motivos para buscar atendimento. Muitas doenças apresentam manifestações muito semelhantes, por isso é fundamental descobrir exatamente qual é a causa”, ressalta. Diagnóstico vai além dos exames
O ortopedista explica que o diagnóstico começa pela conversa com o paciente.
Informações sobre o início da dor, histórico de traumas, idade e limitações funcionais ajudam a direcionar a investigação.
“A primeira etapa é uma anamnese bem-feita, entendendo como surgiu essa dor, se houve trauma, se ela está relacionada ao desgaste natural do envelhecimento e quais movimentos desencadeiam os sintomas”, explica.
Após a avaliação clínica, exames como radiografia, ultrassonografia e ressonância magnética auxiliam na confirmação do diagnóstico.
“Hoje, a ressonância magnética tem um papel muito importante porque permite identificar com mais precisão as diferentes doenças que acometem o ombro”, diz. O tratamento depende do diagnóstico e da gravidade da lesão.
Na maioria dos casos, a abordagem inicial é conservadora, combinando medicamentos para controle da dor e fisioterapia. Quando necessário, podem ser indicados procedimentos minimamente invasivos.
“Hoje temos infiltrações e bloqueios guiados por ultrassonografia, que proporcionam maior precisão ao tratamento. A cirurgia é considerada apenas em situações específicas e, geralmente, como última alternativa”, destaca.
Para o especialista, identificar corretamente a origem do problema é a etapa mais importante do tratamento.
“É preciso entender a história do paciente, o tipo de limitação que ele apresenta e suas expectativas. Um diagnóstico bem-feito é o que permite escolher a conduta mais adequada”, pontua.
Embora o envelhecimento favoreça o desgaste natural das articulações, a prática regular de atividade física pode reduzir o risco de desenvolver doenças no ombro.
“Costumo dizer que o corpo funciona como uma poupança. Quanto mais cuidamos dele ao longo da vida, menores são as chances de desenvolver determinados problemas.
A musculação tem um papel importantíssimo porque fortalece toda a musculatura ao redor do ombro”, explica. Mesmo assim, Gustavo Barboza alerta que dores persistentes não devem ser ignoradas.
“Dor, perda de força e limitação dos movimentos são sinais de que alguma coisa não está bem.
Quanto mais cedo o paciente procura tratamento, maiores são as chances de evitar a progressão da doença e uma restrição ainda maior da movimentação do ombro”, conclui.
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Nem toda dor no ombro é bursite: especialista alerta para doenças com sintomas semelhantes
A dor no ombro está entre as queixas ortopédicas mais frequentes entre adultos e pode ter diferentes causas. Embora a bursite seja o diagnóstico mais conhecido pela população,...