O avanço da inteligência artificial tem ampliado a sofisticação dos golpes virtuais e tornado cada vez mais difícil distinguir uma fraude de uma situação real. Em 2026, um dos crimes que mais preocupa especialistas em segurança digital combina clonagem de voz, imagens produzidas por inteligência artificial e técnicas de manipulação emocional para convencer vítimas a transferirem dinheiro via PIX.
O alerta é do pesquisador e formador de peritos em IA Forense, Willard Ribeiro, que aponta a fraude como uma das mais recorrentes e perigosas do ano. Segundo ele, os criminosos exploram informações disponíveis nas redes sociais para construir histórias altamente convincentes e enganar familiares. Como funciona o golpe
A fraude costuma começar com uma mensagem enviada por um número desconhecido.
O criminoso afirma ser um filho, irmão, pai ou outro familiar que teria trocado de telefone ou estaria enfrentando uma situação de emergência. Para tornar a história mais crível, os golpistas utilizam fotografias produzidas por inteligência artificial, criadas a partir de imagens reais publicadas pela própria vítima nas redes sociais.
Em seguida, enviam áudios gerados com tecnologia de clonagem de voz, capazes de reproduzir características muito próximas da voz original da pessoa.
“As pessoas publicam diariamente fotos da família, do carro, da casa, de viagens e vídeos falando para a câmera. Em muitos casos, esse material pode ser utilizado por criminosos para construir uma história altamente convincente”, explica Willard Ribeiro.
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Engenharia social potencializa a fraude
Segundo o especialista, o golpe vai além da tecnologia. O sucesso da fraude depende principalmente da chamada engenharia social, estratégia que explora emoções humanas como medo, preocupação e senso de urgência.
Os criminosos criam um cenário em que a vítima acredita que um familiar precisa de ajuda imediata e, diante da pressão psicológica, acaba realizando uma transferência antes de confirmar a identidade de quem fez o contato.
“O objetivo é impedir que a pessoa tenha tempo para verificar a informação.
Quando existe urgência, emoção e uma aparente confirmação visual e sonora, muitas vítimas acabam realizando um PIX antes de confirmar a identidade de quem enviou a mensagem”, afirma. Senha entre familiares pode impedir o golpe
Para reduzir os riscos, Willard Ribeiro recomenda que as famílias adotem um protocolo simples: definir previamente uma palavra ou senha de segurança conhecida apenas pelos parentes.
Sempre que houver um pedido de dinheiro, transferência bancária ou qualquer solicitação considerada incomum, essa senha deve ser utilizada para confirmar a identidade de quem está fazendo o contato.
“Hoje, ver uma foto ou ouvir uma voz já não é suficiente para comprovar que alguém é realmente quem diz ser. Uma simples senha combinada entre familiares pode interromper o golpe antes que o prejuízo aconteça”, orienta.
Especialistas recomendam desconfiar da urgência
Além da senha de segurança, especialistas orientam que pedidos de dinheiro enviados por números desconhecidos sejam tratados com cautela. Entre as principais recomendações estão confirmar a informação pelo número de telefone já conhecido do familiar, realizar uma videochamada iniciada pela própria vítima e evitar tomar decisões sob pressão.
Com a popularização das ferramentas de inteligência artificial, especialistas avaliam que golpes desse tipo tendem a se tornar cada vez mais sofisticados. Nesse cenário, medidas simples de verificação e maior conscientização da população passam a ser consideradas as principais barreiras contra fraudes digitais.
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Golpe com voz clonada por IA e falso familiar avança em 2026; especialista faz alerta
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